Menino criado nas ruas, solto, brincando com o que a vida lhe deu, se sofreu bulling nem soube, tocou a vida.
Apesar de ser portador de necessidades especiais, nunca se prevaleceu disso, ao contrario, derrama sua alegria pelas ruas de Guarapari-ES, aonde todos que frequentam aquele balneáreo o conhecem.
No inverno vigia carros, no verão vende água de côco, ao que parece, indiferente a sua situação, e com que prestesa atende seus fregueses, de fazer inveja a muitas pessoas que gozam de plena saúde.
Sorriso farto, não se preocupa em esconder os poucos dentes da boca, não sente vergonha de sí, menos ainda se apieda de sua condição, segue a vida.
Ninguem avisou que ele, em razão de paralisia cerebral, deveria estar tutela, interno em algum deposito de pessoas imprestáveis, pleiteando as benece do Estado ou vivendo às custas da caridade pública.
Ninguem avisou que ele não precisava trabalhar, que poderia, como tantos, esmolar pelas ruas, verberar contra a divindade pela má sorte que na atual paragem da vida lhe deu.
Ninguem avisou que, em face da sua enfermidade, deveria cair na infelicidade e reclamar da vida, do Estado, da indiferença do povo, da infelicidade que o acometeu, não, Daniel, na sua ignorância simplesmente toca a vida. Toca a vida com alegria, produzindo algo de útil para sí e para os outros. Daniel na sua ignorância insiste em fazer parte da sociedade, em consumir, em viver, em não se entregar, em esfregar nas faces de todos nós a sua independência.
Daniel vai tocando a vida sem se importar com nada que não seja a própria vida, parece perceber que não tem tempo a perder com as pequenas coisa que nos incomodam, sem as vaidades que nos aprisionam, sem as queixas que nos tornam infelizes, sem esperar que ningem faça alguma coisa por ele, vai tocando a vida.
DANIEL É VERDADEIRAMENTE LIVRE.
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